Terça-feira, 17 de Março de 2009

memórias de alguém de coração avariado e mente em curto-circuito

Ela fazia a sua alma vaguear pela cidade com um carácter diambulatório. Arrastava a sombra como grilhões pelas estradas alcatruadas e pelos paralelos dos passeios. Repousava à "sombra" de candeeiros de rua, ainda de luz intermitente e julgava-se fantasma ,só se lembrava que não o era quando homens (ou putos) armados em galos de capoeira passavam nos seus carros e buzinavam em tom de piropo, que teciam sorrisos marotos que ela ignorava, apetecia-lhe fugir, fugir dali a correr, fugir daquele mundo ridiculo de aparencias, de posturas convenientes, onde as pessoas às vezes se lembravam de se preocupar umas com as outras e então vinham as perguntas atrás de perguntas o tipico "estás bem?" ou o "que se passa contigo?" ou ainda aquele irritante "eu conheço-te sei que não estás bem...diz me o que se passa?" . E ela gritava para dentro de modo estridente "Epah !!! Porra! Será que não percebem que a última que coisa que quero é falar! Deixem-me em paz pelo menos hoje, pelo menos agora!".

Porque era mesmo isso, ela não queria falar, queria respostas, as respostas que ninguém lhe podia dar, que ninguém lhe sabia dar por mais que o quisesse fazer. Então orava, falava com o seu santo, uma entidade divina, tinha fé... a rara coisa que permaneceu entre tantas mudanças que aconteceram na sua vida nos últimos tempos.

Com os olhos a ferver de lágrimas ácidas que ao cair queimavam a cara, desenhavam cicatrizes profundas, tão profundas que os outros não viam mas ela sentia como punhais que lhe abriam o rosto, saiu dali, debaixo daquele candieiro de luz alaranjada e escondeu-se sentada atrás de um muro, de onde via um mundo colorido, cheio de luzes e brilho, o encanto especial da sua cidade, então comtemplava toda aquela magia com um choro complusivo, abafado e sufocante enquanto recordava tremendo aquela pergunta " ele gostava de ti e tu?".

O coraçao amaragurava por querer berrar a resposta e ter que calar viver no silÊncio das palavras. Poderia dizer que não nunca gostara dele mas que sim o amara como nunca ninguém o saberia amar. Desde o primeiro sorriso até à ultima lágrima ela precisava dele mas a vida negou-lhe tudo e ela já não queria mais falar no assunto. Queria simplesmente fugir do passado.

sinto-me:
publicado por sombra esquecida às 18:01
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