Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Carnaval

Um céu despido de brilho, não havia lua nem estrelas para iluminar o véu negro da noite em contrapartida havia a exuberante iluminção das praças a sobrepor-se às escuras ruelas de paralelos, havia a euforia em cada rosto, a animação nas vozes estridentes do povo, as fantasias exibidas com sorrisos, a embriagez nos gestos e os excessos cada vez mais patentes no avançar da madrugada.

Os velhos clássicos musicais usados nesta época festiva tocavam alto e ecoavam por toda a cidade numa mistura perfeita de ritmos e batidas, as danças que envolviam os corpos, as gargarlhadas que entravam nos ouvidos como um elixir de alegria.

A boa disposição contagiava, as loucuras e os devaneios eram quase instintivos.

O calor humano aconchegava a alma, os amigos ajudavam a eternizar os momentos mas certas ausências patrocinam a noite com uma nostalgia morna que tinha tanto de reconfortante como de desconfortável, era esquecer tudo o que a vida tem de errado e pelo menos numas horas ser feliz por inteiro, uma noitada semi-perfeita tem de ser aproveitada no limite a vida é bela demais para ser desperdiçada com humores deprimentes e sentimentalismos baratos, podemos sentir cá dentro, podemos pensar, podemos até escrever, mas não podemos (ou pelo menos não devemos) viver a matutar nos pesos que carregamos, todo o mundo carrega os seus (isso é normal é uma condição da vida) e nada melhor que uma noite mágica de carnaval para exorcitar os medos, os fantasmas, as dores emocionais, ou seja lá o que for com um  bom samba (ou com uma imitação rasca mas saborosa de um bom samba).

 

sinto-me:
música que me está a dançar na cabeça: Y.M.C.A - village people
publicado por sombra esquecida às 23:10
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

E tu amas-me ou odeias-me?

a barreira entre o amor e ódio é tão estreita...

 

 

 

 

música que me está a dançar na cabeça: ruídos de fundo
sinto-me: zonza
publicado por sombra esquecida às 23:38
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

A história de um qualquer alguém I

A noite já ia longa quando ela rodou a chave no trinco e entrou dentro da sua própria casa. Nesse exacto momento pode provar uma estranha sensação, pela primeira vez em muitos anos não se sentia em casa.

Agora compreendia que lar não eram as paredes ao alto criando um abrigo decorado e organizado do nosso jeito pessoal, lar era sim todo o sitio que nos dá paz, aconchego e protecção.

Então ela descubriu com essa estranha sensação que o seu lar eram aqueles braços abertos à sua espera, mas agora mais distantes que o sol, lar era aquele regaço no encalce do calor do seu corpo, aquele olhar selvagem que tinha tanto de agressivo como de uma melancólica meiguice era também o seu lar.

Pois então a sua casa era o corpo daquele ser quase divino que há muito tinha entrado na sua vida e não as paredes e os espaços  que a viram crescer, pois qualquer espaço que não envolve-se  a proximidade com ele jamais lhe conseguiria dar um abrigo tão completo como ele lhe dava.  

Ela correu para a rua e mesmo estando a  chover lá ficou à espera de sentir o real aconchego quando o seu "lar" regressasse... mas ele não regressou. Ela tornou  para dentro das velhas paredes que delineavam compartimentos cheios de solidão e continuou à espera dele mas ele nunca nunca mais voltou. As memórias que tinha do dono do seu abrigo eram como ilusões, como um sonho que acabou e ninguém lembra que existiu a não ser ela que enraizou os sentimentos no chão na expectativa do reencontro.

Vive num mundo de cartão perguntando por ele, procurando por ele, lutando por ele, sem nunca ser compreendida, mas antes vista como uma triste louca, como se ela criasse amigos imaginarios e constituisse uma vida e uma paixao com um fantasma inventado por si do que também o esquecer, porque isso seriacomo se esquecer de si própria, como recusar a dádiva de saber que alguém lhe conferiu.

Mas ela ainda conseguia lembrar do cheiro do corpo dele, do calor da sua voz com tamanha intensidade que jamais em tempo algum poderia ter sido irreal.

E assim ela apreendeu a viver sendo mendiga, uma pobre sem-abrigo, mesmo com um tecto de qualidade para a proteger, no entanto se nunca mais o voltasse a ver sua alma estaria ao relento sobrevivendo à morte dos dias.

 

 

sinto-me: anti-social
música que me está a dançar na cabeça: confiarei - coro
publicado por sombra esquecida às 16:09
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Preto no branco

Desenrolas-me os pensamentos em fios confusos, coisas indistintas que não percebo, que me assustam, que me fazem aproximar de ti com a mesma vontade com que me afasto.

És lobo em pele de cordeiro, mas o azul dos teus olhos me atraí, arranjo forças todos os dias para te negar, para não te procurar, para ficar no meu canto bem afastada de ti.

Sei o que sinto. Conheço o sentimento que me mora no peito e tu defenitivamente não fazes parte dele.

Confesso que és perturbador, que me inquietas por dentro, como se tivesses o dom de seduzir.

Fazes jogos de poder. Usas e abusas do encantamento que tens sobre as pessoas.

Agradeço a importância que me dás, mas dispenso ser fantoche humano nas tuas mãos de anjo pecador.

Enlouqueces os meus sentidos, encravas as minhas palavras, corróis-me os nervos.

Aproveitas a carência da alma para chegares perto e tentares entrar cá dentro.

Enquanto não te decides é mesmo assim tu por ti e eu por mim.

Não me tentes seduzir para depois me manipulares.

Amo-o a ele e não quero que me faças baloiçar no desejo da tua personagem ilusória.

Ou queres ou dá-me espaço para sermos amigos sem segundas intenções subjacentes.

Gosto de te ter no meu role de amizades mas odeio pensar em ti por libido.

Acabaram-se os esquemas.. branco no preto é assim que tudo deve funcionar.

 

 

sinto-me: cansada
música que me está a dançar na cabeça: smile - pearl jam
publicado por sombra esquecida às 21:41
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

"Desintitulado"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 {Quero que você me aqueça neste inverno e que tudo mais vá para o inferno}

 

 

sinto-me: confusa
publicado por sombra esquecida às 18:38
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Frases simples.

 

 

{ Quando eu era pequenina, acabada de nascer.

Ainda mal abria os olhos,
já era para te ver.
E quando eu já for velhinha,
acabada de morrer.
Olha bem para os meus olhos, ainda são para te ver.

- quando era pequenina de Amália Rodriguez  }

 

 

 

 

 

Cafés frios.

Palavras vagas.

Olhares disformes.

Sorrisos afectados.

Posturas convenientes.

Dias longos.

Noites curtas.
Horas vazias.

Ausências homicidas.

Presenças vulgares.

Vidas desconexas.
Corações de papel.
Sentimentos insanos.
Almas depidas.
Existências masoquistas.

Cigarros apagados.

Beatas caídas.

Seres alados.

Pessoas imperfeitas.

Despedidas destruídoras.

Regressos frágeis.

Sonhos de cristal.

Desejos plastificados.

Vontades repreensíveis.

Esperanças em pedestal.

Crenças vitais.

Certezas invulgares.

Beijos perdidos.

Abraços distantes.

Arrependimentos que matam.

Decisões infernais.

Passado inesquecível.

Presente enferrujado.

Futuro nublado.
Lutas diárias.
Necessidades reais.

Saudades que atafegam.

Memórias distorcidas.

Lágrimas corrosivas.

Esperas infinitas.

 

 

sinto-me: na lua
publicado por sombra esquecida às 11:31
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Welcome sun

Pela manhã quando meti os pés fora de casa vi que não chovia, o chão ainda estava molhado e o céu estava basso, uns leves raios de sol espreitavam entre as nuvens cinzentas, o tempo foi-se passando e  no regresso a casa lá pela hora de almoço depois de uma manhã cheia de matemática podia sentir o sol a bater-me no rosto a penetrar bem no fundo de mim, a arejar-me a alma. O verde das ervas que crescem selvagens nos campos abandonados são nestes dias solarengos ainda mais verdes e o céu agora de u azul luminoso deixa-me quase tonta de satisfação, o conforto do calor do sol a abafar o ar no autocarro deixou-me com umas nostálgica morna... a saudade de outros tempos, a vontade de estar agora noutro lugar bem nas margens do mondego. Mas enfim no fim de contas é simplesmente bom ver o sol regressar era perfeito que já fosse verão...

 

 

música que me está a dançar na cabeça: tout les garçons et les filles - Françoise Hardy
sinto-me: satisfeita
publicado por sombra esquecida às 15:58
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Queres falar sobre isso?

Queres falar sobre:

. como uma ausência pode ser homicida?

. como as saudades podem ser um tormento?

. como um inverno rigoroso pode ser um desgaste psicológico?

. como uma distância pode ser intolerável?

 

Pois, talvez seja melhor continuar a comer silêncios às colheres...

 

 

sinto-me: a precisar do verão
música que me está a dançar na cabeça: Daniela Mercury - Como vai
publicado por sombra esquecida às 15:10
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Estás feliz?

O teu olhar é vago e distante, parece diferente daquele que tinhas quando te conheci.

A tua expressão parece mais dura, mais madura, já não tens aquele jeito de cotomiço.

A tua gargalhada não parece tão pura, e pensar que ainda noutro dia vi o teu velho sorriso torto quando falamos, mas quando nas fotos procuro por ele só o encontro naquelas bem antigas, naquelas de quando o nós ainda estava patente.

Talvez seja só impressão, utopia ou ilusão mas a verdade é que me preocupo com o teu coração.

Estás feliz?

 

 

sinto-me: Sentimental
música que me está a dançar na cabeça: Love story - Taylor Swift
publicado por sombra esquecida às 13:13
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