Segunda-feira, 14 de Março de 2011

o calor das memorias e o frio da nostalgia

Ninguém prometeu que viver seria fácil, apenas juraram que valeria a pena.

E a verdade é que não é fácil viver sem ti, mas o que vivemos valeu a pena.

As memórias latejam na mente agregadas às memórias que tenho dela, tudo misturado na mesma dor.

Quando tento passar para palavras o peso que as recordações do verão tem na minha alma, as frases saem ridiculas da minha boca.

Penso como ver um jogo de futebol amador, pode ter um encanto que ainda hoje perdura e mói.

Então recordo e  levantam-se duas faces da mesma moeda, para o comum mortal seria apenas um campo de futebol com 20 rapazes correndo transpirados atras duma bola mais dois numa baliza em lados opostos do campo, para mim era uma hora de viagem na expectativa do reencontro, o orgulho de entrar na bancada como um pertence teu, olhar te a correr e ver te quase em camara lenta, excitarme com cada movimento, numa paisagem deslumbrante de montes e vales verdejantes com o sol batendo quente no meu rosto, vibrar com cada golo, rir de cada piada dos adeptos e o desejo do apito final para te beijar, entrares no meu carro com um sorriso enorme e depois de um abraço apertado fazermo nos a estrada cantando alegres como se a vida se resumisse apenas aquele instante e a noite abafada cair sobre cidade enquanto os nossos corpos se encontravam num quarto de hotel. Simples  como todas a outras memorias mas tao forte e destrutivo.

Por tudo isto e por tudo o resto. Por toda a dor da perda e vontade de trocar tudo para voltar atras, para te sentir de novo, para reviver cada beijo, para te ouvir gargalhar, sentir o teu prazer, vltara s er o teu anjo. Tive de esquecer, de me obrigar a esquecer te, tive de te enterrar vivo para poder voltar a sorrir, a viver, a sentir, tive me soltar de ti, esconder-me das memórias mesmo sabendo que elas me encontram sempre.

É como sobreviver no presente fingindo para mim própria que nao tive passado, fingindo que um dia tive mãe, fui criança e ri e brinquei e fui feliz, tinha alguém que me due a vida a protger-me pude ser fragil, tinha um regaço para chorar sem perguntas, sem me deixar de amar pelas lágrimase sem medos de a perder a seguir, fingir que num dia quente de agosto te conheci e me apaixonei, numa noite quente de setembro me entreguei nao so corpo, como alma e coraçao, senti o que era amar , e num dia amargo senti que me podias matar em loucura e resuscitar com palavras e promessas, fingir que nunca fiz quilometros por um abraço teu, que abdiquei de mim por ti, que fui ao limite de mim por nós, foi ao exaustao plo teu amor, que te deixei ser a minha casa e ocupares o lugar dela nesta vida, fingir que houve o dia que descubri que nao eras quem desmonstravas ser e te perdi. Enterrei-te num caixão com todas as musicas, com todas as memorias, todos os sorrisos e todas as lágrimas juntei te vivo aquela que enterrei morta, quero começar do zero sem passados, nascer agora, começar a sentir agora, com toda a experiencia que vida me deu, reaprender a sonhar. Tem dias como hoje que sinto o cheiro a podre a imanar da tua sepultura e com as próprias mãos cavo a ver se morreste e descubro que afinal continuas vivo e o cheiro a vem do tempo, tempo esse que vai morrendo entre o nosso passado e o meu presente.

Encontrei quem me possa fazer renascer das cinzas mas preciso de te manter enterrado, a ti e a todo o meu passado, sei que contigo eu era melhor, eu era mais adulta, mais forte, mas senão existires não há ponto de comparação, apenas o que sou agora.

O tempo demolidor vai passando e por vezes o tal cheiro de podre deixa me sufocada e ao recordar desfolho um monte de sorrisos como se as lágrimas nao ficassem registadas e sinto me a envelhecer, vej a minha vida inteira num flashback, penso em todas as pessoas que conheci, que me marcaram, que perdi, e quero sentir por outras o mesmo que senti pelos perdidos da vida, mas tenho medo de as perder aseguir e mais uma vez e outra e outra ter que morrer e renascer, para novamente encontrar o meu sorriso no meu do choro ofegante. Há coisas que não voltam jamais e nesse conformismo há que agarrar forte o presente sem passado nem futuro. E sentir tudo por inteiro porque ninguem disse que seria facil apenas prometeram que valeria a pena.

música que me está a dançar na cabeça: green day - time of your life
sinto-me: nostagica
publicado por sombra esquecida às 03:43
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