Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

AgriDoce

Ela acordou com a sensação que seria mais um dia azedo, talvez ainda mais azedo.

As horas foram passando e sentia-se meia oca por dentro, sentia-se rodeada de pessoas mas elas não a preenchiam, conseguia facilmente citar nomes que realemnte lhe importava ter com ela, que lhe poderiam dar um abraço apertado e faze-la ficar melhor.

Enquanto mentalmente dizendo os nomes ia descartando hipoteses, por isto, por aquilo, acabou restando apenas uma ou a solidão em que estava.

Era ele, só ele.

Ligou. 

Arriscou.

Surpreendentemente e contra todas as expectativas ele estava lá disponivel, sem ser preciso explicar, ele entendeu (como quase sempre acontece, talvez por isso ser tão especial).

Quando deu por si depois de mil conversas, estava embrulhada naquele abraço, tão fragil e forte (assim perfeito).

Naquele abraço ela pensou em tudo, memórias, desejos, vontades, despiu-o e vestiu-o umas quantas vezes, tocou-o, imaginou tudo em segundos e voltou ao vazio o simples do momento, o instantes em que conseguia sentir o seu cheiro no pescoço e o aperto intenso (o aperto dele, na medida certa) que a faziam-se sentir em paz sem problemas la fora (tinha a pena de não o fazer sentir a ele nas mesmas proporçoes, mesmo assim tinha consciencia dos efeitos que provocava nele e isso sossegava-lhe ainda mais a alma.

Ele estava lá pra ela, assim como ela estaria lá quando ele tambem precisasse.

A amizade entre eles era o valor que se levantava mais alto e isso era bom, era divino, pois não há coisa mais especial que amizade pura entre duas pessoas independentemente de qualquer outro sentimento.

Ambos sabiam que o que tiver de acontecer acontece, que pra ja a prioridade era nenhum dos dois perder aquele abraço, aquele aperto.

Na despedida, os amigos sentiram a emoção que existe pralem da amizade, o querer ficar, a presença do outro era mais importnate que qualquer toque fisico, era o riso, era o mau feitio, o tom da voz e a vontade de tudo resumida ao abraço, à amizade que era tão essencial aos dois. 

Muita coisa não foi dita apenas sentida, mas eles conheciam-se bem o sufciente pra ler nas entrelinhas.

As músicas tocaram e falaram por eles, tanta coisa ensaiada nas noites em claro mas para quê estragar o silêncio.

Os dedos entrelaçados faziam sentido com eles, apenas porque sim, porque juntos, como algo mais ou apenas (que é tanto) como amigos não caminhavam sozinhos na estrada da vida.

Um "Vai-te foder" e a porta  a bater, na linguagem deles "adoro-te, bom rever-te", as despedidas por mais curtas que sejam sao sempre desconfortaveis.

Mas no fim o dia azedo, tornou-se doce, tão doce.

E eles senão fossem assim nao seriam eles, seriam outros quaisqueres, não eles, azedos e tão doces... os dias ... e eles.

música que me está a dançar na cabeça: Paula fernandes - Eu sem você
sinto-me:
publicado por sombra esquecida às 05:00
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012

Monólogos de uma Louca - diário de bordo

Tic-tac
Tic-tac
O relógio não parou desde a tua partida e cada movimentação daqueles ponteiros me fazem relembrar que apesar dos dias passarem o vazio que deixaste continuo a senti-lo, mais suave, mais discreto, mais ténue (já não me faz chorar,não tantas vezes pelo menos), mas esse tic-tac frenético não permite esquecer a ausência, a ausência das mensagens, dos abraços, das conversas, dos sorrisos, a tua ausência, a ausências das piadas, das brigas, dos beijos, dos labios, das brincadeiras, da voz, da companhia (da tua companhia).
Tic-tac
Pego no telemóvel e dedilho o teu numero.
Sinto vontade de te escutar.
Preciso saber como estás.
Mas apago-o e volto a pousa-lo em cima da mesa. 
Tic-tac
A noite vai passando e não consigo adormecer (tem sido assim nos últimos dias), continuo a culpar o café que ando a tomar (apesar de saber da sua inocência).
E nesta noite como nas outras que tem acontecido, quando apenas resta o silêncio do mundo lá fora ou quando me sinto sozinha entre a multidão apenas me martela na cabeça aquela celebre citação de Caio Fernando Abreu
"Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não se cansa "
Porque é a vontade que sempre me nasce no peito: Nós
Tic-tac
Volto a pegar no telemovel, dedilho de novo o teu numero e mais outra vez pouso o sem te ligar.
Faltam-me ainda as forças para não reconhecer a tua voz por detrás da frieza que nela carregas desde então, como se a culpa fosse minha pelo fardo que carregas de dúvidas, se pequei foi por outrora ter sido sincera demais a ponto de ter assustado e confesso que talvez na epoca fosse essa a intençao, afastar-te e afastar-me, pressentia esta situçao, mas foi mais forte e voltei a pecar quando a cada dia me lubibrei com que estavamos a criar por instinto, pequei quando demonstrei os sentimentos, mas se escondesse estaria a mentir-te e entre nós procurei sempre a sinceridade, pois confiei em ti sem pudores e pretendia o mesmo da tua parte.
Tic-tac
De novo o telemovel nas minhas mãos, desta vez sem intuito de voltar a discar qualquer algarismo, era como se estivesse apenas à espera.
Eis que ele toca, o teu nome no visor fez me o estomago contorcer-se.
Li e reli quantas vezes já não sei, tentei perceber as entrelinhas, mas desisti depois de já saber aquele texto frio de cor (a tal frieza que não tinha coragaem para te ouvir na voz, chegou me por mensagem).
As lágrimas vieram me aos olhos (como um passado tão recente , parece tão distante), olhei para o céu (estava como naquela noite na praia só que sem estrelas cadentes) e sorri.
Disfarcei e deixei que as lágrimas se disfizessem no riso. 
A minha irmã olhou me pelo canto do olho e não quis perceber (um relacionamento de fachado em prol de um amor imaturo pode ocupar o cerebro da gente ao ponto de não querermos saber que existe mundo além), mas já me começoa acostumar à ideia que agora não posso contar com ela e não quero contar com mais ninguém, sei lamber as minhas próprias feridas.
Tic-tac
Continuei sem te dar resposta, não é que não queira, quero tanto. Tenho cá dentro mil respostas possíveis aquela mensagem, mas os dedos que tanto dedilharam o teu numero, estao agora petrificados.
Chamem-me cobarde mas não consegui processar nem uma letra e senti-me cansada só pelo esforço mental de o fazer.
Voltei a pousar aquela porcaria, apenas consciencializando-me que a telepatia se de facto existia havia de falar por si.
Tic-tac
O tempo continua a passar e fizeste uma nova tentativa de falar comigo, continuei a ser cobarde.
Se te falasse não sei o que diria quando mostrasses a falta de sentimento, que me faz sentir como uma pauta de música que se toca e toca até cansar, até se saber de cor e depois se arruma na gaveta esquecida. Talvez fosse bruta, tão fria que ficarias chateado, ou tão doce que me sentiria humilhada, preciso encontrar o meio termo, encontrar quem eu era quando nos conhecemos, mas não sei onde escondi essa parte de mim.
Vens falar comigo, esperas que aceite a tua posição? Sim, aceito e respeito (de coração, mas isso já tu sabes, de tantas vezes que to disse). Que compreenda? Não num compreendo, soua a masoquismo, davas muito enquanto eu dava pouco, gostavas enquuanto eu fugia do sentimento e agora sais correndo. Esperas que sorria? Que queres que te diga? Que te minta? Que finja que estou bem, que não me sinto, que não sou gente? Que faça de conta que somos iguais, que usas o mesmo tom nas conversas? Não consigo. Que queres que faça? Que te apague. Que nos apague? Eu tentei, mas não consigo.
Vês tudo tão facil apenas como uma questão de prespectiva e isso machuca. Nossa quanta indiferença (mas não te condeno, é a tua forma de estar, apenas que gostava que não fosse).
Precisa apenas do meu tempo e do meu espaço pare reaprender a lidar contigo, a falar contigo, podem ser apenas umas horas ou uns dias.
Tic-tac
Pouso a cabeça na almofada continuo inquieta, mas teimo em fechar os olhos, penso como seria se simplificassemos as coisas e depois de muitos contorcioninsmos e malabarismos lá consigo adormecer quando o sol nasce.
Tic-tac
Mantenho me ocupada, vou tentando fugir, mas tens fugido e parece que tem resultado contigo.
Mas nos intervalos fluis no meu pensamento e questiono-me se para ti já passou, se já deixaste de gostar de mim.
Por um lado preferia que sim, pelo menos poderiamos voltar a ser naturalmente amigos, sem teres medo que eu destrua de alguma fora o teu futuro, a tua carreira, sem quereres perceber  que não quero ser travão, mas sim acelarador, que gostava de como no dia mais ocupado ou cansativo apenas sorrisses por saberes que me tinhas, ou por receberes uma mensagem minha.
Fodasse quero enganar quem? Não, num quero que me tenhas esquecido, quem me dera que te lembres, que te lembres todos os dias que eu exista, que este silêncio não nos mate, apenas nos torne mais fortes, que deixes de pensar e ouças o susurro do coração que te impulsiona a lutar por nós (que não é luta, pois estavamos felizes).
Tic-tac
Tenho caminhado sobre aquelas calçadas tantas vezes, e até o Douro não parece tão grandioso agora quando o olho sem poder entrelaçar a minha mão na tua.
Banalidades ganharam agora outra profundidade.
Aquelas noites tórridas de loucuras.... não é delas que tenho saudade, ou que sinto falta ao adormecer, são das banalidades, aquelas que secalhar no momento pouco valorizamos, tão simples quanto a companhia um do outro, como as fotos que me tiravas nas piores figuras.
Escrevi a mensagem, antes que me arrependesse envia-ta sem sequer reler , aguardo aind a responta que não veio, que talvez nem venha e que no fundo me assusta. 
Não me conformo de não te ter na minha vida, nem que fosse como amigo, pelo menos estavas, podia saber de ti, podia de algum modo estar presente nos teus dias.
Tinha ainda tanto para te dizer mas abordar este assunto assim, tá a fazer a saudade apertar no peito e uma sensaçao de impotência se erguer.
Então se encontrares este monologo, não digas nada, frio ou caridoso, se for por comiseração fica no silêncio, apenas reflecte nestas palavras com carinho, são tudo o que não te posso dizer em sussurros ao ouvido, num abraço apertado, colmatado por um beijo.
Pensa que não são apenas uma visão ridicula, que tu podes ou não respeitar, são as minhas loucas emoções.
Senão te poder ter como tinha, com toques que arrepiam, babuseires que acabam em beijos, brigas que provocam abraços e arrelias que acabam em gargalhas, senão quiseres dar nos uma chance, se continuares a sentir que o que tivemos não valeu a pena e que não somos dignos de voltar a viver os nossos momentos, mesmo que diferente, mesmo que menos vezes, com ou sem rotinas, tentar. Então volta como amigo, mas volta inteiro, como da primeira vez.
sinto-me: em obras
música que me está a dançar na cabeça: Se por acaso - JP Simões
publicado por sombra esquecida às 00:59
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

Noites sem ti

Estratégicamente posicionada nuns sapatos com dez centimetros de salto, caminhava pela ruela incerta e pouco iluminada.Casas velhas, miseras e caquéticas escondendo bares convidativos e recheados de gente, à entrada em cada porta aberta apresentava-se um segurança com cara de pouco amigos, quase intimidativo. Mas o que que era absolutamente incomodo, sem quases pelo meio, eram os grupos de pessoas que se juntavam aqui e ali no decorrer da calçada e que olhavam de um jeito penetrante para todos os que passavam.

A noite estava escura, fria e vazia, sem estrelas, sem vento nem luar mais uma noite despida de afectos.

Interrogava-me o que faria eu ali, vagando sozinha entre tudo e nada como um espírito sem rumo.

O que estava eu a fazer naquele sitio, naquele momento? Porque não ia embora? Ou porque tinha vindo?

O intuito  inicial era procurar o conforto da amizade mas não tardou para que essa ideia se dissipasse no ar . Quando pensava no meu apetite inexistente para conversas, na minha falta de criatividade para manter um diálogo ameno, deixava de ver conforto em encontrar um amigo. Então para que procurava eu alguém se naquele instante não queria falar (preferia o silêncio), não tinha sorrisos para trocar nem gargalhadas para partilhar, as piadas de bom tom já as tinha gasto a todas num jantar de conveniência.

Por entre essa minha concentração em coisas vãs, senti no peito, bem lá no fundo de fininho a tua presença, não te via em lado nenhum mas sentia-te a ali, tive a certeza que ia ter que ser forte essa noite e enfrentar os meus medos que te englobam.

Derrepente entrei num misto de pânico e ansiedade, o corpo enfraquecia a cada passo, eu deixei de caminhar para me arrastar, perdi a postura por não conseguir tolerar o peso das pernas, cada passada era uma batalha complicada, e literalmente sentia-me a sufocar como se o ar não chegasse aos pulmões como se respirasse sem respirar. 

Então regressei a casa, demasiado cansada para discutir com o sono, ou para chorar.

Adormeci.

 

sinto-me: incompleta
música que me está a dançar na cabeça: gosto de ti desde aqui ate a lua - andré sardet
publicado por sombra esquecida às 05:23
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Monólogos de uma Louca - a despedida

Uma primeira conversa.

Um primeiro olhar.

O devaneio utópico do que viria a ser.

Depois veio o desenrolar dos dias.

E das conversas, e dos olhares.

No fim o pressentimento, aquele pressentimento, o tal de sexto sentido.

E o medo, e a insegurança.

E a certeza do erro e do fracasso, e mesmo assim o arriscar, passo em falso, o cair e levantar.

Erguer o nariz como quem ergue uma bandeira, com orgulho, mesmo depois da humilhação e da derrota.

Já eras especial, mesmo antes de o seres.

Então quando apareceste avisei-te do perigo, pedi para tomares cuidado, não confiares e não te magoares.

No entretanto e porque a vida é feita de entretantos, esqueci-me de me avisar a mim própria, para tomar cuidado, para não confiar e não me magoar, por que nesse entretanto estava mais preocupada em cuidar de ti, desse coração cozido em tanto lados.

Não calculei que afinal o teu coração não fosse de pano ou de carne e fosse vidro, que não fosse cozido, pois vidro não se coze, porque estala e depois de estalado num volta mais ao que era, aquela versão pura e original.

Mesmo lendo nas entrelinhas as tuas epifanias, sem pensar, fechei os olhos, apertei firme a tua mão e confiei.

Perdi-me em mim e encontrei-me em ti.

Quando dei por mim, não havia mão para apertar, tudo era vazio e eu estava ali, em queda livre, batia os braços, mas braços não são asas.

Olhei à volta, procurei algo para me agarrar, mas estava sozinha, só comigo poderia contar, lembrei-me que me podia refugiar no teu abraço, mas afinal a segurança desse abraço eu já não tinha, confessas-te me tu em desculpas esfarradas "que entendi".

Levaste-a quando partiste.

Consigo recordar, por entre a embriagez da noite, o virar de costas, o último adeus sem remorsos do que foi e o tal abraço que queria ficar mas não podia.

Então a cabeça tenta puxar para o passado que me fez esfolar mãos e joelhos, tenta fazer acreditar nesse Karma que rege a gente, mas o coração já não vai, ficou estagnado, atado a memórias, a sorrisos, a momentos e músicas que se eternizaram em nós. Atado a ti.

 

Ai (suspiro)

 

... momentos. Os nosso momentos.

eles foram noites e foram dias, foram horas e foram segundos, foram loucos e tão reais, foram risos e foram lágrimas e foram nossos, sempre nossos, tão nossos, eternamente nossos, pois podes me roubar tudo, tentar controlar tudo mas não vais conseguir controlar a recordação dos teus olhos a aprender a ver me com a as pontas do dedos, nem da tua alma a conhecer-me nos teus lábios, nem quando ficavamos juntos mesmo longe enquanto dormiamos, não vais controlar a memória dos odores, dos perfumes, dos tiques, dos beijos, das manias, da voz, dos gemidos e dos supiros, da respiração, do toque, da temperatura, da tensão, do aperto, do sorriso, dos banhos, das paisagens, das calçadas da tua cidade, dos cinco sentidos num só focu, o meu nome escrito no vidro quando o carro embacear (lembra-te quando for outra no meu lugar é o meu nome que tu vais ler), quando comeres com vontade e quando te sentires sozinho, olhares a volta e conseguires ouvir ecos do meu riso em memorias de quando me fazias cocegas ou mesmo quando vires o teu filme favorito.

O chocolate e a praia vão sempre fazer lembrar me, mais que por momentos pela personalidade, aquele feitio doce que em simultaneo arranha e incomoda, mas no fim cativa.

Tão diferente de ti, adaptei me, porque me cativaste a alma(e somos eternamnete responsáveis pelo que cativamos) e se cerrei os olhos foste tu quem me os fez cerrar, abriste o teu mundo para me deixar entrar, conhecer para depois partir com mais bagagem pra vida, ainda não sei se te agradeça ou se te esqueça.

Sentes-te melhor por me excluir da tua felicidade?

Espero que sim, porque é com ela que me preocupo, só quero que sejas feliz, mesmo que isso para ti implique estar longe de mim.

Espero igualmente que se em noites frias encontrares cabelos meus, não me recordes e sintas falta do meu calor, pois os meus cabelos não são cobertor e não te vão aquecer, são apenas provas que noites quentes existiram, nessa hora não me chames, pois pode ser tarde demais e o frio da cobardia de outrora vai gelar mais ainda a noite.

Consegues me imaginar a repetir cada momento que vivemos com outro corpo, consegues enfrentar de coração em paz essa imagem ou atormenta-te de mansinho?

Então porque me deixas fugir?

Porque me afastas?

É do amor que tens medo? Tens medo de ser amado?

Medo das correntes e grilhões que nunca te pus?

Quem gosta de verdade não dá laços tão fortes que virem nós. Não prende, deixa voar.

Tens medo do meu passado ou será que é do teu? Será que no auge do prazer foi outro o nome que clamaste por dentro?

Ao comparares me a outras gentes é assim que me sinto, pois não me chamo Catarina, nem Mariana, nem Inês, nem Joana, eu sou eu, e se nunca me deste o beneficio da duvida nunca me conheceste, ou será que conheceste alguém enquanto me andavas a tentar conhecer?

(Tudo é hipotese neste vacuo de duvidas, neste fogo fatuo de saudade)

Podemos amanhã nos afastarmos porque o sentimento acabou, porque não encaixamos como o coração ditava em susurros, porque vivemos enganados, mas nos afastarmos tao precocemente por nos gostarmos demais, não consegue minha alma incredula compreender, mas se tu decides, o mesmo sentimento que me moveria a continuar, me move a respeitar-te.

Contigo aprendi a subtil diferença do "estou contigo" e do "vou ficar contigo".

Aprendi que mesmo com esse feitio de pedra me fizeste princesa e com a pedra construiste o castelo.

Se fores feliz ao me esquecer eu também vou ficar feliz, pois sorrirei por ti, e no brilho do olho, da pupila dilatada encontra-te-ei em mim.

Foram horas, demasiadas horas de conversa, as mesmas horas que agora são de silêncio, pois mais nada tenho a dizer-te.

Quando te contei que tinha medo do futuro, era disto que me referia e apenas queria que me prometesses que iamos tentar, mas não prometeste, e não tentaste.

Doi estar inseguro, pois doi, mas eu tentei, é nessas horas que mostramos de que somos feitos, quando "somos o todo em cada coisa e pomos o que somos no minimo que fazemos".

Confesso agora que não tem mais porque esconder que quando tu pressentiste o nosso enlace no primeiro encontro, eu pressenti-o da primeira vez que pediste para ver o meu sorriso, pressenti-o quando me tocaste e me envolveste e eu fugi.

Algo ali estava ao contrario (agora sei que eramos nós que estavamos ao contrario), eu queria-te mas ainda nao te sentia, e tinha de te proteger de ilusoes, as mesmas ilusoes que iriam destruir a amizade que demoramos tanto a criar, mas era fugir ao inevitavel.

E agora?

Nem ilusoes, nem amizade.

Tudo acaba, tal como café que esfria e como cigarro que se apaga.

Tantas ideologias, tantas crenças e para quê?

Passamos demasiado tempo a pensar e tão pouco a sentir.

E se morresse amanhã? Teria ficado tanto por dizer e por fazer, outro tanto por descobrir e por viver?

Mas a vida continua e como diz aquele música que não gostas "nao vou tirar os olhos de ti (...) não vou tirar te dos meus pensamentos, até te esquecer" é sempre assim, será também assim para nós e poderiamos ter sido tanto.

Afinal porque outro motivo tiveste tu aquela sensação ao meu lado, porque me escolheste, porquê eu isto, porquê eu aquilo, porquê aquelas perguntas que fazias a ti próprio até adormeceres sem resposta, porquê o meu coração entre tanta turbulência te escolheu a ti, antes de ti tudo era sossegado e tu chegaste e viraste o meu mundo do avesso, porquê tu, porque me foste buscar ao sossego das cinzas, dos destroços dos sentimentos com passado e sem futuro (porque és especial, ou porque foste enquanto eras meu e me deixavas ser tua).

Na verdade, não te pedi nada, apenas te dei, e agredeci o que me deste.

Enfim tanto ja te disse neste relato e tanto fica ainda por dizer, talvez fosse mais facil se fosse uma sinfonia, mas como nao sei compor escondo-me atras de palavras, mas já é tarde, o dia nasceu e já tenho "estrelinhas" nos olhos piscos.

Gostava que estivesses aqui a fazer me conchinha, a sentir a minha paz, mas não estás, nem queres estar, desististe de nós, substimando-nos, são opções e eu respeito muito a tua, assim como te respeito a ti.

Se algum dia leres estas linhas não te ofendas, mas reflete em cada pensamento com carinho, o mesmo carinho que me dedicaste, em cada passeio, em cada conversa, em cada caminhada, em cada café, em cada foto que me tiravas (quando achavas que so te queria para fotografo sem compreenderes que o que queria era que de algum jeito fizesses parte delas sem reclamares) ....

Bem, vou tentar encontrar ainda o teu cheiro nos lençois e adormecer.

Apesar da nossa perfeição não ter sido alcançada pois há ainda tanto para adicionar, e tanto para retirar em contrapartida ao que disse Saint- Exupéry e do principio Kiss..... Até sempre.

{#emotions_dlg.heart}

música que me está a dançar na cabeça: Strauss: Eine Alpensinfonie / Bychkov · Berliner Philharmoni
sinto-me: murcha
publicado por sombra esquecida às 05:22
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