Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Rimas da Vida

Acordo apática sem calor no coração,

a chuva cai,

o vento vai,

e sinto na pele aquele arrepio

pois és tu que agasalhas o meu frio.

Sei que não estás, 

e que talvez nem te lembres,

mas a verdade é que sempre que vais,

deixas em mim muito de ti.

Tal como este teu vazio, 

que faz de mim um vadio,

perdido por entre a sociedade,

sobrevivo com anciedade,

neste mundo,

onde mais me sinto como um defunto.

Não é tristeza,

é carência,

o que fica e o que resta desta tua ausência.

Testemunho irreal,

duma verdade imortal,

o amor.

Desculpa lá,

não é por mal,

não quero que vivamos atormentados,

mas talvez já estejamos condenados.

Este nosso relacionamento,

fracassado antes de nascer,

conseguirá levar muito tempo até morrer?

Para este sentimento,

talvez não haja futuro,

ou talvez seja este meu pensamento algo prematuro.

Mas o passado não perdoa,

e tanta vez o coração ele atordoa.

E perguntas se realmente penso assim,

porque é aqui ainda estou aqui.

E eu respondo que dúvidas também deves ter,

e o teu farol eu prometi ser,

e o que a minha mãe dizia eu não posso esquecer

"senão tentares, nunca vais saber".

Eu quero saber e descobrir e desvendar,

se esta é apenas uma falsa profecia,

e juntos nós poderemos nos reenventar.

Pois ainda me recordo dos nossos primeiros beijos,

daqueles abraços intermináveis,

de todos os momentos,

dos nosso primeiros tempos,

das conversas à lareira, 

onde nos sentiamos capazes de ultrapassar qualquer barreira.

Era como viver a vida noutra dimensão,

pois tudo era mel,

e facilmente perdiamos a noção.

Será que agora já chegamos ao fel?

E senão somos mais do que um frágil papel?

Vamos resistindo separados por um oceano e unidos por um cordel,

que muitos chamam de emoção,

mas que por vezes eu penso se para ti não se chamará apenas tesão.

Desculpa se sou injusto,

mas esta vida tantas vezes já me pregou grande susto.

E é estranho,

tão estranho.

Pensar em ti apenas como recordação,

e sentir o abandono,

que causa internamente uma destruição,

só pedia mais um instante para ficares comigo, 

e não ter de ficar de coração partido.

Poder sair desta merda,

deste buraco sem fundo

mas o tempo não dá abébias,

eu continuo aqui meia lérda,

vivendo à tua espera.

Logo eu que enchia a boca para dizer que não acreditava no amor à distância

perdi pla arrogância.

Agora vou me alimentando de migalhas

nestas diárias batalhas,

pois no fundo eu sei que vais voltar,

e a qualquer dia e a qualquer hora nos vamos encontrar,

e continuo acreditar,

que me vais falar em amor

e confessar que sentiste saudade do meu calor.

Vamos matar essa vontade da felicidade,

dos instantes passados juntos,

do momentos partilhados,

vais me abraçar,

vou te abraçar,

e vamos congelar o tempo para não mais nos termos que afastar.

Vamos ter esperança que alguém lá em cima olha por nós,

e às nossas almas vai dar voz,

e que se o destino existe .... foi pra nós.

 

 

sinto-me:
música que me está a dançar na cabeça: Damien Rice - I Remember
publicado por sombra esquecida às 15:12
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Sábado, 1 de Junho de 2013

Histórias que ficam

 

Há pouco, quando ainda tinha a minha cabeça sobre o teu peito, senti o teu coração, o meu coração, como batiam os dois, tão forte, tão calmos, em simultâneo, lado a lado, compondo um som, uma melodia, uma balada, que naquele silêncio emocional, apenas nós conseguíamos compreender. Parecia uma espécie de fado, talvez pela nostalgia que repercutia em nós, talvez pelo tom magoado e aquele jeito chorado, talvez por parecer que sempre falava de amor, mesmo sem palavras. Assim como no fado a guitarra por vezes sozinha fala mais que todas as palavras, assim como no fado quando cada acorde revela sentimentos que nem o fadista confessa, tudo se sente apenas no corpo e na alma, assim eram também, os nossos corações. Nessa altura, enquanto ouvia o tal batimento de olhos fechados, pensei em como a vida é tão complexa, tão estranha, faz-nos rir e chorar, por vezes tropeçar e cruzar caminhos confusos, nos entretantos conhecemos pessoas, encontramos gente por casualidade e desse jeito confuso duas pessoas se encontram também por casualidade, porque estão naquele sitio, naquele dia e naquela hora, não sei se lhe chame acaso ou destino, duas pessoas ali que poderiam nunca sequer se aperceber da existência uma da outra, duas pessoas que acabam por esbarrar o olhar por entre a multidão e meses depois estão a amar-se e a sufocar de saudades, então ambas percebem que a vida dá voltas, muitas voltas, voltas demais, e o que a vida dá ela também pode tirar, mas quando ela nos dá uma pessoa, ela nos dá momentos e momentos viram memórias e memórias ninguém nos rouba, são só nossas, eternizadas em nós e naquilo em que nos transformamos. Eu e tu, encontramo-nos assim por acaso ou destino, aprendemos a gostar demais um do outro, compreendemos que que o acaso tinha uma intenção, fazer de nós personagens numa história, a nossa história. E dum jeito agridoce também nós conhecemos as voltas da vida, durante os últimos meses se pudéssemos segurar na saudade com as mãos ela já nem caberia nas duas, mas assim é que é, tal como na vida que nem todos os dias são de sol, também a nossa história tem direito a coisas más, assim como todas as histórias, mas no fim vale a pena. Vale a pena quando não usamos o amor como desculpa para acorrentar pessoas, mas sim para as libertar. Gostar de alguém deve ser dar lhe asas para voar, com a certeza porém, de que sempre estaremos cá para a acompanhar em seus voos, ou para cuidar dela quando os seus voos solitários não correrem tão bem. O principio de amar alguém deve ser a vontade de ir mais longe, de alargar horizontes, de aprender a viajar nos olhos do outro, mas para isso é necessário deixar partir para ele depois ter mil histórias para contar em cada olhar, é necessário dar espaço para respirar ao invés de sufocar, porque todo o laço vira nó quando é demasiado apertado e gostar de alguém não deve ser um nó nas nossas vidas, cada regresso não deve ser uma obrigação, mas uma vontade, uma qualquer necessidade. Amor para ser amor, não pode ser cobrado, comandado ou controlado, deve ser apenas dado, como um grande tesouro da humanidade presente em cada um de nós mas que só tem valor quando oferecido a outro, e não a um cobrador. E não há maior alegria do que o regresso espontâneo de alguém que deixamos livres, porque sabemos que entre mil epopeias vividas e aventuras jamais esquecidas .... escolheu voltar. Chamem-me louca ou idealista mas para mim amar é isto, é o acto de dar, de confiar, de libertar. Assim desse jeito meio louco meio são, vamos construindo um sentimento quase sem termos noção, enquanto vamos escrevendo a nossa história por entre linhas de saudade e linhas de choro e sorrisos, linhas de medos e cobardias e linhas de paz e alegria. Agora que já voltaste a partir resta-me a mim ficar neste leito com o cheiro da tua pele ainda na minha pele, o odor do nosso amor a emanar dos lençóis e aquele teu perfume espalhado pela casa, no fundo é como se ainda aqui estivesses, e eu vou pensar assim nos próximos meses até a um novo regresso, porque no fundo ainda aqui estás e sempre estarás enquanto eu estiver, porque estás em mim, assim como eu estou em ti. Vivemos um no outro através da distância e da liberdade, e apenas isso me deixa feliz, porque gostares de mim e eu de ti, para mim, é o suficiente, porque amar começa assim, de um jeito simples e descomplicado e para permanecer deve continuar desse mesmo jeito. Amanhã tudo pode acabar, mas enquanto durar seremos felizes e no fim, se ele chegar, quando olharmos para trás teremos a certeza que demos o nosso melhor, que pelo menos tentamos. Até já marinheiro.

música que me está a dançar na cabeça: Minha Razão- Exaltasamba
sinto-me: daquele jeito meio bobo
publicado por sombra esquecida às 00:54
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