Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

Crónicas de um ressacado (de amor)

Bastava uma palavra para o mundo voltar a girar

É esta sede compulsiva de ti

Esta fome de afecto que não cessa 

Esta vazio que cega, ensurdesse e cala a voz

O frio, o calor, o desalento

A apatia dos sorrisos contrapondo-se à facilidade das lágrimas

Nas paredes, no versos das músicas de sempre

O teu nome elevado ao expoente máximo da loucura,

Onde se define na indefenição de não saber se é contigo ou sem ti que não consigo viver.

Ensina-me a respirar neste passar moribundo dos dias de ausência

Neste estar sem estar

Neste gargalhar sem sentir o riso

Neste enlamear de baladas que te recordam, que me recordam de ti

Fico sem saber se ainda estás aqui, quando já nem em mim te encontro

Vejo e revejo as memórias que eram nossas

Para me certificar que no meio de tanta insanidade tu exististe em mim

Tu nasceste em mim, fizeste-me tua e fizeste me nascer em ti, criando um nós

Esse nós vago, incoerente, doente, febril mas feliz, tão feliz

Aquele nós que se fez gente por entre quilómetros de medos e oceano

E que agora não é mais que um ponto de interrogação estratégicamente colocado mesmo antes do começo da frase

Porque mesmo antes de pensar 

Ou formular

Ou reformular

Antes da frase ser pergunta
Já lá está sentida e vivida aquela interrogação

Quem somos? Ainda somos? Seremos? Ou já nem sequer este misero plural tem razão de viver...

Eu e Tu ainda somos uma soma de duas pessoas que resulta numa só alma elevada ao quadrado

Mas nesta conta matemática

Somos aquela que se complica e se transforma numa daquelas equações de terceiro grau cheias algoritmos e incógnitas

As parcelas ou direi antes parceiras exteriores se dividem e multipliquam e no meio de tanto rabisco fico sem conseguir perceber o resultado

E não há calculadora que nos salve

Diz-me tu em palavras mansas que sexo é sexo e tesão é tesão mas amor será sempre amor e é mais que emoção, que qual clarificação

E que no fim deste exame de acesso a sei lá o quê

Voltaremos a descomplicar

E seremos de novo uma conta de somar elementar

Em alguma hora será hora de parar de complicar e começar a descomplicar

Nem que seja num bye bye

"Temos sempre Paris"

Até nos filmes nem sempre o final é feliz

Não vejo a minha vida sem ti

Mas tantas são as vezes em que já não a vejo contigo

Não me lembro quem sou, ou sequer se sou
Para que estou

Se todos temos uma missão qual é a minha?

Não consigo sentir fora de ti, não sei quem era antes do 3 de Dezembro daquele ano

Mas eu vivia, eu resistia e eu sorria

Eu cantava, eu amava, alegria eu snifava

Tu mudaste o meu mundo, fizeste-me pensar diferente e agora não sei o que pensar

Talvez vivesse À espera de me encontrar e me transformar

Tu surgiste do nada, por entre o nevoeiro (das luzes)

Tal cmo D. Sebastião 

E foste a promessa consagrada à razão

Foste a esperança feita lição

E agora?

Pensei que fosse forte , bem mais forte

A tal coragem de leão

Mas afinal sou como papel
Frágil

Pouco ágil

Não resisto a um vento mais intenso
Que fará a balas de canhão

E isto tudo porque o tempo me rói

O coração mói

Inspira

Expira

Antes que expluda com a distância

Na anciedade de perceber se o teu abraço realmente cura

Cansada de deitar sozinha

Acordar ainda mais sozinha

Sonhar contigo e acordar sem aquele bom dia feito sussurro no ouvido

Já não me sinto uma princesa muito menos a tua princesa

Sinto-me viciada

Uma drogada

Arrastada pelo corpo e pela alma para as teis de um vicio que me destrói

O meu vicio é o teu amor

Mas a droga és tu

Não tenho fome, nem sono, nem sede, nem essas necessidades banais do comum mortal

Essas necessidades só de nós

Não apetece sair 

Nem há forças para lutar

Alguém me traga uma seringa de abraços teus

Comprimidos de palavras doces

Saquetas de beijos

E me perdoem os verdadeiros agarrados, que bem sei ser mesquinho este meu dilema

Mas se amor mata eu vou morrendo e resnascendo aos poucos

A cada gesto, a cada palavra tua

Num barco contra a corrente não posso remar sozinha

Se não pegares no remo eu vou manter os braços cruzados e ficar vendo o barco ir

Vou chorar se perceber que todo o esforço foi em vão

Mas tu foste e serás sempre toda a razão do meu partir

Talvez estejas a pensar em mim, mas tens de o dizer, senão nunca vou saber

Tenho vontades, não o dom da advinhação

Apenas me assite por vezes a mestria da telepatia, mas isso apenas porque tu és tu e eu sou eu

Faz-te homem, faz-te gente e faz-me bem

Vem fazer-te presente e extremina com esta minha anciedade

Com este panico filosofico do "ser ou não ser eis a questão"

Se pudesse estaria aí 

Se pudesses estarias aqui

Mas não podemos há mais compromissos que euros, mais responsabilidades laborais que cifroes na conta bancaria.

Então liga, escreve, mostra-te, fala, escuta, reenventa-te e reenventa-me

Não me deixes aqui a pensar em ti embrenhado noutros corpos , preso noutros movimentos, longe de tudo o que é certo

Faz-me tua mais uma vez, como tu sabes fazer, recorda-me quem sou e como sou

Mata-me esta vontade e instabilidade

 

 

 

 

 

 

sinto-me:
música que me está a dançar na cabeça: Miguel Gameiro - Não quero acordar sozinho
publicado por sombra esquecida às 17:07
link | partilhar palavras | adicionar aos tais

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31

.museu

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Outubro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

.palavras fresquinhas

. Ela e Ele

. Amor pede amor

. Confissões da vida

. ...

. Pensamentos de um louco -...

. crónicas de um amor ausen...

. Perdida na madrugada

. Pensamentos soltos

. Crónicas de um ressacado ...

. A Saudade

.pesquisar

 
blogs SAPO

.subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub