Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012

Conversas pra parede

 

 

Sim cresci como uma miuda mimada apesar das várias controvérsias, ao olhar para trás considero-me uma priveligiada pela infância que tive "it's magic".

As coisas menos boas que vivi quando criança apenas me ensinaram como ser forte e a encontrar a coragem nos sitios mais recontidos da alma.

Por vezes posso parecer frágil e rabugenta, mas aparências enganam e existe uma suave diferentça entre mimada e mimalha e se como cotomiço talvez fosse mimada em todos os sentidos da palavra, ao crescer tornei-me numa adulta mimalha e antes de apontar o dedo é melhor conferir no dicionário no que consiste para não haver equivocos que por vezes, tantas vezes, quase sempre ferem.

Como adolescente foi igual a tantos outros, a comum idade do armário e os seus melodramas, dessa fase apenas me orgulho da mulher fantástica que tive a meu lado, como professora, guia, mãe, concelheira, psicologa, amiga, irmã, pai, como tudo, pois era e será sempre o meu maior exemplo de pessoa e de vida, tudo o resto dessa epoca são apenas passagens nada de realmente fascinante que mereça um especial relevo, se a tivesse de definir com uma palavra diria suigeneris ou engraçada.

Mas no ponto de viragem tudo mudou, a tal mulher que tanto esteve lá na adolencência, não estaria mais, pelo menos não de corpo, e facil dizer "ela sempre estará contigo" dificil é viver com o vazio que isso deixa , não poder olahr, nem agarrar, nem sentir de verdade, é facil dizer isso quando a nossa mãe está em casa a fazer o jantar, mas com o tempo a gente aprende a sobreviver. O primeiro namoro aconteceu paralelamente a essa situção e foi um enorme fracasso, o pior até a data arrisco dizer (o quanto nos amamos foi proporcional à nossa cobardia e dúvidas, metendo na balança e dado a nossa imaturidade emocional, o amor não venceu tudo como nos filmes). Nessa altura foi útil por demais a lição da força e coragem que tive na meninice e considero-me mais que uma guerreira uma vencedora.

Ficou uma grave lacuna familiar dado que era a mamã o meu unico suporte, o resto da familia são quase como enfeites na árvore de natal servem apenas pra decorar e ficar bonito na fotografia, mas dão muito trabalho para pendorar, o meu pai que nunca foi pai, por nunca ter tido que desempenhar essa funçao não soube lidar com a situação ate porque ele próprio não passa de uma criança grande, imatura e egocêntrica, em relção a isso parece fácil basta ser forte e aprender a fazer dos amigos uma familia. A vóvó depois daquela morte foi quem mais me tentou segurar ao chão, às vezes apenas com um abraço ou uma lágrima, ali nada era de mentirinha, não havia falsidade no sentimento e duraria eternamente, apesar de não compreender o meu mundo (dado a faixa etária) sempre tinha uma palavra sincera e um velho concelho, ela não se encaixava no meu conceito de familia como enfeite de árvore de natal. Mas o que se fazer quando a noticia de que ela terá pouco tempo mais de vida? Ser forte e mais uma vez agarrar a esses amigos que viraram familia.

Mas ninguém é perfeito e essa familia postiça também não o é, quando o próprio sangue nos falha que fará alguém que na realidade não nos é nada, há mentiras, prioridades, traições e então no final das contas há que perdoar, porque todo mundo erra, eu também erro por isso pra que julgar, desabafa-se, respira-se fundo e perdoa-se porque se são bons amigos irão fazer valer sempre a pena, pelos momentos, pelos risos, pelos abraços, pelos silêncios, pelas festas, por cada retalho de vida partilhado, mas pra isso a gente tem de engolir, pensar no outro e ser forte.

Mas enquanto se é forte cruzam-nos com aquelas personagens que parecem viver num mundinho d eboneca onde tudo é perfeito e vem a pergunta porquê isto aconteceu comigo, porque não mereço viver num mundinho como o delas, então nessa altura há que ser forte a dobrar.

Depois no dia a dia de um adulto existem as banalidades (as contas para pagar, as coisas para comprar, as burocracias pra resolver) e quando os euros voam e se sente na pele a crise patente no país, a solução aparece em caps lock na mente (EMIGRAR), mas isso implica largar tudo, comos os estudos estão a meio implica abdicar deles e partir sem nada para agarrar apenas uma oportunidade de emprego bem remunerado, sem amigos, com fraco inglês é como um tiro as cegas, mas nesta selva onde ou matas ou morres cada vez são menos as hipoteses de escolha, então há que ser forte e mentalizar que não vai doer, que vai ser bom e prespectivar um lado cor de rosa dessa situação.

Quando se assume uma vida independente que é bom, que ninguém se intromete no que fazes ou não, bendita liberdade, tem de se aceitar o reverso da moeda, estás doente cuidas de ti sozinha, vai ao médico, faz canja, dá mimos a ti própria, apenas mais uma maneira de ser forte, tudo passa.

Mas nos entretantos sou humana e independentemente de viver a ferro e fogo, adoro rir e ter com quem rir, adoro que me façam rir, aquilo sorriso parvo, aquelas piadas seccas, adoro abraços fortes tão fortes e que sejam verdadeiros, adoro dormir em conchinha, adoro ainda mais palavras doces vindas da alma, mimos, aconchegos, dedicaçao pequenas coisas que uma mãe dá como ninguém e que poucos amigos conseguem dar sem parecer estranho e desconfortavel, namorados fazem tudo parecer mais simples neste sentido, fazem-nos sentir especiais e preenchem parcialmente aquela lacuna maternal, mas tornam-se sempre numa ilusão de gente e de todos os momentos, as longas conversas, os risos, as brincadeiras, as piadas, os abraços e beijos, as musicas partilhadas, as lágrimas, os apertos, a cumplicidade, a intimidade.. as pessoas viram estranhos por opção, porque o ser humano perde os sentimentos e logo de seguida o respeito pelo outro, o sexo parece proporcional ao desinteresse quanto mais sexo mais desapego, começa-se a colecionar numeros na agenda e nomes no coração. Inspira, Expira sê forte e recomeça háde haver alguém diferente e há ..no inicio, depois como ciclo vicioso tudo volta ao ponto de partida, do genero montanha russa e como o passado não se pode apagar apenas seguir em frente com ele usando-o pra ensinamentos, vem a tona as desilusões e há sempre aquele nome que rebenta com os nervos e faz pensar porque ele é tão (mil rudes adjectivos prejurativos vem a mente) e é o que mais valeria a pena porque o tempo passa e ainda sofre por nós e ainda se preocupa conosco e ainda nos respeita. E num é por mal ou desrespeito que não apagamos o passado é apenas porque ele existiu, porque foi importante, porque acreditamos mesmo nele e fez valer, mas não culpem o passado quando temos um presente e um futuro para fazer dar certo e desistimos, podiamos ter feito história, ter sido o nós o passado que torna irrelevante tudo o resto, ou então sermos a eternidade, mas há coisas que não foram feitas para darem certo ou então ao contrário há coisas pessoas que só funcionam juntas e não dá pra fujir, quanto mais se corre, mais se tropeça, mais a gente se cansa e sofre, mas o que dois não querem um não faz, então esperar o que? Ser forte e seguir em frente mais histórias virão, mesmo sem apagar memórias.

Se escreveres um livro não podes apagar as frases conforme fores escrevendo perde a lógica, o raciocinio, na vida é igual considero eu na minha humilde opinião, nao podemos bater com a cabeça e esquecer a margarida, a rita o francisco ou o miguel, se eles existiram fazem inremediavelmente parte de nós pro bem e pro mal.

Há quem tenha historias de vida parecidas com a  minha ou mais complicadas até e se tornem bichos frios, como cafés azedos, talvez menos vulneraveis, mas eu agarro me as emoçoes e saio magoada mas no fim quando um dia morrer tenho a  certeza que vou recordar tudo com uma lagrima porque perdi pessoas que jamais gostaria de ter perdido mas recordarei também com um sorriso (um sorriso enorme) pois conheci pessoas incriveis que por momentos fizeram parte da minha vida e fizeram de mim melhor pessoa,porrque senti, porque sempre arrisquei e se me tiver de arrepnder de algo que seja sempre de algo que fiz.

Preciso de mimo pra não me sentir sozinha, é no mimo que se torna mais fácil arranjar forças, e não me julguem antes de tentar estar na minha pele.

Por vezes 24 horas de convivio comigo propria onde cada amigo por maior afinidade, tem a sua propria vida e onde por vezes as amizades sao falsas e torna tudo questionavel existe a carência de um amor que seja alguém que nao nos deixa passar 24 horas sozinhos nem se seja com 15 minutos ao telefone ou uma mensagem de bom dia. Torna tudo mais facil sentir que se morressemos alguém iria relamente se aperceber e iria sentir a perda, que não estamos abandonados apenas por ser orfaos.

Contudo em nenhum momento me sinto uma cuitadinha, pelo contrario sinto-me uma priveligiada pelos amigos que fiz até hoje e nos quais englobam as pessoas com quem me relacionei, priveligiada por ser filha da mulher que sou, priveligiada por tantos momentos da vida e mais simpels que tudo isso, por estar viva, por ter nascido, pois tudo faz sentido no sorriso de uma criança, num por do sol, no cheiro a mar, numa noite estrelada, num odor a terra molhada, numa chuvada na pele e num banho quente, numa noite passada a lareira sozinha a ver um bom filme, coisas tão simples, banalidades tão mediocres mas que fazem todo o sentido e me fazem considerar que sou uma pessoa feliz, podia ser mais sim mas tambem podia ser menos e é essa luta diaria por algo melhor que também dá alegria, e quando se desabafa com os amigos não é para nos vitimizar é mesmo só pra isso ..desabafar, porque viver todos os dias cansa por muito bom que seja e por vezes é preciso receber um concelho, um carinho, pra poder continuar a fazer deles a tal familia e da familia num se quer pena querem se abraços apertados. O mal é que por  tantas vezes rirmos ao invés chorar e de passar tantas horas sendo fortes as pessoas esquecem que somos carne e osso e que também temos fraquezas e que também nos sentimos como gente de verdade, e quando julgam não param pra ler as entrelinhas, parece facil acusar o outro de egoismo quando nem nos lembramos que secalhar os egoistas somos nos proprios com as nossas filosofias de vida, o bem é que enquanto vemos a caruma no olho do outro nao vemos no nosso. Eu prefiro sofrer de ausências e outras ências do que não dar o beneficio da duvida, que passar a vida concentrada no meu proprio umbigo e não é porque gosto de sofrer apenas porque para mim sofreria muito mais senão desse cor a vida, se desistisse logo das pessoas, são formas de estar e esta é a minha senão a respeitarem sinto me no direito de não respeitar as diferentes, porque nestas coisas não ha certo ou errado há valores éticos, códigos de conduta e sentimentos (os nossos e os de terceiros).

E se há os que não percebem como não se pode esquecer o passado, eu penso o inverso, como se pode desvalorizar alguém que um dia gostamos muito, faz parecer tudo um teatro. Magoar uma pessoa, menosprezando a sua inteligência com jogos de cintura mal estruturados, assim só porque se esqueceu do que viveram juntos, de como ela um dia deu tanto de si em prol de uns bons kilos de indiferença e se transforma em tudo no oposto daquilo que o marcava como diferente ou será que também isso foi por teatro, chega um ponto onde a desilusão e a magoa deixa tudo confuso e dificil de distinguir e decifrar, as palavras saem como pontapés mas não são para ferir, são porque estamos a tentar ser fortes mas estamos feridos, e quanto mais mais falamos não nos enterramos vemos é as covas alheias. Parece fácil dizer "desiludiste me" ou "agora tenho certezas" ou um simples e ironico "obrigada pela sinceridade" enquanto no silêncio duma imagem inexistente nós choramos porque não conseguimos evitar o fim dum sentimento e depois o fim de uma amizade (por vezes tão importante), choramos porque um dia valeu a pena e fomos felizes e se fomos felizes não somos cuitadinhos somos mais uma vez priveligiados. É sempre complicado ver o outro lado quando só queremos ver o nosso, cada ser humano apenas encherga o que quer.

E a mim o que me arrelia é as pessoas não saberem chegar umas às outras basta um elogio, uma demonstração de afecto pra deitar abaixo a mais resistente muralha, trocar um "vai te foder" por um "adoro-te" parece insignificante mas pode mudar o fim de uma história, basta as pessoas serem mais humanas e apesar de me acusarem de mimada e egoista e ter tanto que aprender e amadurecer há assim pequeninos gestos que já vou aprendendo a fazer mesmo que saia com orgulho ferido, as pessoas valem mais que isso, ou secalhar é o tal prazer em sofrer uma veia masoquista que mantenho como animal de estimaçao.

Sofrer em relação pessoas faço-o não por prazer mas porque quandoa a gente sente sente inteiro, senão magoar a perda, a ausência, entaõ eua cho que num foi completo, foi capricho, foi comodidade, preferia nao perder, nao ter de enfrentar ausencias mas entao se assim nao fosse as pessoas seriam uma especie de objectos... eu gosto de camisolas cor de rosa mas posso vestir uma castanha isso não me afecta, mas não consigo pensar assim com pessoas eu gosto da ines se ela morrer  não me é igual ao litro não vou rir, não vou fazer de conta que nao a conheci e perder um amizade é como um morte no meu fraco ponto de vista, porque a pessoa existe mas não existe na tua vida, e ntão vamos rir, vamos manda-la a merda e ignorar que um dia lhe chama mos de anjo sem questionar porque o fizemos, se isso entre outras peripecias do tipo for gostar de sofrer é então eu realmente gosto, mas considero me uma fraca no dia que tiver de fugir das emoçoes e sentimentos para não ter de chorar porque enquanto me condenam por pintar o mundo de negro não se apercebem que todos os dias ando colorir o meu mundo em tons garridos com pessoas e momentos especiais. Enfim desabafos como quem fala sozinha em devaneios.

sinto-me: o bobo da corte
música que me está a dançar na cabeça: quero que vá tudo para o inferno - Roberto Carlos
publicado por sombra esquecida às 03:48
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